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21 de dez de 2013

Black Beat Brasil!!! R&B na veia!!!

Black Beat Brasil
Então, galerinha, dei uma paradinha aí na história do Boyzone, por que estava trabalhando cerca de 12 horas por dia. No restante do tempo eu tinha que comer, tomar banho, dormir... Mas estou voltando aos pouquinhos. E hoje queria dar uma dica bacaninha. A webrádio Black Beat Brasil está de volta com força total. O que mais gosto?!? É uma rádio nacional, que toca o fino do R&B o tempo todinho... E, quando digo R&B, eu falo do 'charme', o movimento black dos anos 90. À partir de agora vou tentar dar uma pincelada em assuntos pertinentes a este que é meu estilo favorito de música. 

A minha proposta inicial, quando desenhei um site com o nome 'Addicted to Music' há 10 anos atrás, mais ou menos, era justamente disponibilizar biografias e histórias do universo R&B em Português. Encontrávamos muito material escrito sobre bandas como Boyz II Men, Dru Hill, Jodeci, e outras, em Inglês. O público brasileiro não tinha muito acesso ao que o americano era inundado. Fiz um site modesto, e coloquei minha primeira história: Boyz II Men. Inocente, não protegi a página de cópias, e vocês que me acompanham sabem que meu texto é um pouquinho pessoal e sarcástico. A decepção foi gigantesca quando achei um site só sobre a banda em Português, com o meu texto lá, todinho copiado, e nenhuma referência a mim ou ao meu site. Durante um tempo continuei com meu projeto, mas restringi o assunto a outro amor da minha vida: New Kids on the Block. E fiz muitas amizades com BlockHeads por causa disso. 

O trabalho, o falecimento da minha mãe, e outros problemas pessoais me fizeram desistir de tudo, e acabei encerrando os trabalhos com o site. Recentemente, com saudade de falar sobre música, resolvi abrir este blog que temos agora, e aos poucos ir colocando os conteúdos que mais me agradavam. Não tinha entrado de sola no assunto R&B por conta da amarga experiência anterior - que não tive com fãs de outros estilos -, mas a amizade com os DJ's da Black Beat me trouxe de volta essa motivação... Então, vamos falar de R&B?!? 

Então, pra começar, posso ser chata? Alguns amigos meus dizem que eu sou briguenta... É que é meio desapontante quando você escuta uma pessoa, principalmente um negão, dizendo que Rihanna é R&B!!! Aí enfraquece o sangue, né? Por que eu sou nipônica, sofro preconceito nas baladas de Nostalgia e de Samba Rock por que não sou melaninada, mas não falo esse tipo de sandice por aí. Rihanna não é R&B. Ela é Urban! E qual é a diferença, July???

Patty Labelle, cortesia de Mr. L. Davis
Pois bem, vamos começar do começo. R&B é uma sigla para Rhythm & Blues, que grosseiramente significa Ritmo e Tristeza. Rigorosamente trata-se de cantar a dor de cotovelo. Como já foi citado na história do grupo Drifters, o termo foi 'inventado' por um jornalista para determinar o tipo de som que eles faziam. Por que antes do R&B, que surgiu nos anos 40, existia a Race Music e o Doo Wop. Chamava-se Race Music qualquer som feito por negros, que se assemelhasse ao gospel cantado nas igrejas que eles frequentavam. O canto gospel negro é bem característico, por que usa o que chamamos de lamentação. Aqueles gritos exagerados, cheios de falsetes e modulações, que no gospel servem para expressar a dor do cidadão, e fazer com que Deus escute suas preces... E é por isso, basicamente, que Deus abençoa mais à Patty Labelle do que você - haha. 

Então, a Race Music era o som secular, que não falava de Deus, mas que tinha essas características do gritos e modulações, e uma batida bem definida. Só os negros escutavam, só os negros gostavam, os brancos achavam uma pouca vergonha e tudo o mais. 

Na mesma época, o Doo Wop tinha um pouco da excelência vocal do gospel, aproveitando principalmente as harmonias corais. Era uma som mais animado, de festa. E logo caiu no gosto dos adolescente brancos que queriam contrariar seus pais quadrados. A evolução branca do 'Doo Wop' é o Rock 'N Roll. Sério... Acreditem em mim... 

A Race Music, por ser mais cadenciada, custou mais para cair no gosto popular, por que era uma música típica dos adultos, e não dos adolescentes. Mas, eventualmente, um contra-tenor fantástico e suas composições bacaninhas, falando sempre de amor, de uma maneira bem melosa, conseguiram vencer esta barreira, e a música passou a ser tolerada nas paradas pop dos Estados Unidos - e do mundo, consequentemente. A imagem de bons moços, limpinhos apesar de serem negros, dos integrantes do Drifters, só ajudou a popularizar aquela música. Mas chamá-la de Race Music (música racial) não ajudava. E foi aí que surgiu a necessidade do novo nome: R&B. Era uma música ritmada, cadenciada (Rhythm), com vocais apaixonados, afetados, interpretados, copiados do gospel, e letras melosas, que falavam das dores do amor (Blues). 

Da década de 40, quando o Drifters dominava as paradas, até a década de 90, quando Boyz II Men tomou o mundo de assalto, pouco mudou. Houve apenas um salto na época de ouro da Motown - década de 60 - com a 'invenção' do que foi chamado de 'o som da Motown'. Tratava-se de uma batida de fundo grave, de percussão, que vinha como base em todas as músicas, de forma cadenciada, lembrando a batida do coração. Esta batida passou a determinar o ritmo do que era chamado R&B. Nos anos 90 tudo permaneceu lá, e passou a ser comum que um dos integrantes das bandas fosse especialmente designado para os lamentos. No Boyz II Men, esta era a função de Wanya Morris. 

Então, é isso... O R&B é composto basicamente por três elementos: a batida de fundo, no ritmo do coração, o lamento, e - quem lamenta, é por algum motivo - a dor de cotovelo. Precisa ter essas coisas para ser rigorosamente chamado de R&B. 

Sisqo, cortesia de Supajam.
E Rihanna? Bom, ela tem a dor de cotovelo, às vezes... Ela tem a batida do coração, às vezes. Ela tem os lamentos, às vezes... Difícil é colocar tudo numa mesma música! O que chamamos de Urban? Aquelas músicas que estão no meio do caminho entre o pop e o R&B. Aquelas que cheiram como R&B, tem algum elemento do R&B, mas também contém uma tonelada de elementos do pop e da música eletrônica. Esse termo Urban foi inicialmente criado por DJ's norte americanos para denominar artistas de 'cross over' (misturas). Os latinos que faziam sons parecidos com R&B, negros que faziam um som mais semelhante ao Hip Hop (outro capítulo de nossa saga)... Urban, ou urbano, é o som das cidades grandes. Por que no interior não era comum achar pessoas ouvindo esse tipo de som, mais moderninho. No interior até a black music tinha que se disfarçar de country. Um exemplo de Urban??? A música 'Thong Song', do Sisqo. 

No Brasil? R&B virou sinônimo de 'Charme'. Por que, aparentemente, para a maior parte de nossa população, é difícil pronunciar R&B (ar-en-bi). A música ficou conhecida como charme, por ser cadenciada e romântica. Era a música escolhida pelos canalhinhas nas baladas para fazer um charme e pegar as gatinhas... E eu não estou brincando!

E, é isso. Se você ouviu um som, e sentiu vontade de chorar junto com o interprete, isto é R&B. Se quis dançar por que seu coração estava acompanhando a batida, isto é R&B. Se quis gritar junto, e brincou de modular a voz e fazer falsete, tudo na mesma estrofe, isto é R&B. O resto é Urban... E se depois desse texto eu ouvir algum inculto chamar Rihanna de R&B de novo ou, pior, dizer que All-4-One parece Backstreet Boys - já ouvi esta heresia algumas vezes - vou começar a assassinar pessoas!!!







JulyN.

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