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8 de mai. de 2017

A trilha da minha vida: Chico, Burl, Candy e Mark...

Hoje acordei às 6:30 da manhã. Um crime, no meu universo! Chico batendo à minha porta... Para quem não sabe, Chico é o apelido carinhoso para menorreia... Pois bem, eu sempre fico muito mal, com muitas dores e outros probleminhas fisiológicos nesta época do mês. Acordei cedo - pra mim é cedo - por que precisava usar o banheiro. Eu já estava suspeitando desde a semana passada, pelos sintomas, que estava na época do fluxo, Mas confesso que começar a semana assim, uma semana em que terei mais trabalho, foi um pouco chato... Aí, depois de me aliviar, voltei para a cama, por que de fato ainda tinha uma hora de sono antes de ter que me levantar e começar o dia. 

Estava indo ao encontro de dona Helena, minha primeira cliente do dia, e sempre elejo um artista ou um disco, ou uma seleção musical específica para me animar, e acabei parando na minha seleção de músicas da Disney, dos filmes clássicos. A primeira em minha orelha foi 'On the Front Porch', interpretada pelo ator Burl Ives, no filme 'Doce Verão dos Meus Sonhos' (Summer Magic), de 1963. Na minha adolescência fui para a Disney, na Flórida, e, claro, sendo eu quem sou, voltei de lá carregada de cds. Entre eles uma belíssima coletânea que na época tinha quatro cds com músicas dos filmes clássicos. Assim conheci esta canção. Sempre a adorei. Ela tem um ar bucólico muito gostoso. 

Uma de minhas brincadeiras com a minha cachorrinha, Candy, era deitar ao lado dela na nossa cama - sim, eu dividia a cama com a cachorra - nos fins de tarde ensolarados, à pedido dela, para ouvir música e acariciá-la. O sol, neste horário, banhava a cama, e Candy adorava se esticar toda e deixar que o astro lhe ajudasse a produzir a vitamina D que eu que tirava toda dela, me esfregando e dando muitos beijinhos. Eu sempre fui muito sonhadora. E, nos últimos treze anos isso não foi diferente. A única diferença foi a inclusão de outro ser nos meus sonhos. Eu nunca tinha sentido essa necessidade de sonhar pra dois, antes. Por que as pessoas da minha vida sempre foram assim, individualistas. Vivíamos juntos, mas não sonhávamos juntos. E, por vezes, o sonho de um ainda atrapalhava a realização do sonho do outro. Então, eu dividia tudo meu com as pessoas a minha volta. Menos os sonhos. Estes eram só meus, e normalmente eu os guardava só pra mim. Por que também se eu contasse, havia quem fosse inclusive fazer esforço pra dificultar sua realização. 

A Candy foi o primeiro ser pra quem eu sonhei. Por que parecia justo incluí-la nos meus planos - sonhos são planos... E aí,  hoje pela manhã, ouvindo 'On the Front Porch', lembrei disso... Por que, Candy faleceu em Janeiro, e realizamos algumas coisas juntas em 13 anos, mas o sonho maior não deu tempo. E essa música meio que descreve parte do sonho... Casa grande, com varanda (Front Porch), talude na frente, gramado verdinho, com o sol batendo - importantíssimo - e um espaçinho atrás pra piscina e churrasqueira, e uma mesa grade, pra reunir as pessoas que eu gosto. E uma cozinha bem legal. A varanda, o talude e o sol eram todos pra Candy. Antes dela eu nunca dei muita importância ao sol. Mas, a gente sempre tem que focar em algo legal pra acordar naqueles dias de mau humor, ruins mesmo, e levantar da cama e ir trabalhar. Candy toda esticada num talude verdinho tomando sol, e eu do lado, deitada na grama, com o céu sobre nós era a visão que me mantinha focada. Por que tem dias que a gente simplesmente não quer sair da cama. 

A culpa é do Chico por hoje ser um dia assim. A culpa provavelmente ainda é dele por eu ter chorado no caminho de dois quarteirões lembrando do talude com a Candy, enquanto a música rolava. Aí, na travessia para o terceiro e último quarteirão, eu me toquei que não poderia chegar chorando na casa da cliente... As pessoas me contratam pra resolver problemas e levar leveza ao dia delas, e não para chorar num arroubo hormonal. Eu precisava de algo que resolvesse isso rápido. Chamei Mark! 

Eu explico... Troquei a música. Fui de Disney para Marky Mark and the Funky Bunch. KKK Por que foi a primeira coisa que consegui pensar que prenderia minha atenção o suficiente para que a imagem da casa com varanda, talude e Candy saísse de minha cabeça. Três respiradas fundas durante o discurso nervoso e de menino teimoso de Mark (Wahlberg, pra quem desconhece o passado do ator) em 'Music for the People' fizeram o truque. Passando pelo primeiro portão do condomínio de dona Helena eu enxuguei as lágrimas com as mãos, ajeitei os cabelos, e, quando cheguei ao elevador, já tinha um sorriso colocado no rosto, como uma roupa bonita que a gente coloca pra disfarçar a ressaca. 

Mas fiquei com esse pensamento. O sonho ainda é esse? Casa com varanda e talude, e sol? Na volta deste primeiro atendimento, vim pensando nisso. Candy me fez entender que o sol é importante. Abriu espaço em minha vida para ele. E, mesmo sem ela aqui, meio que não quero voltar pras trevas de antes. Não morro de amores pelo calor, ainda. Não gosto de torrar no alto verão. Mas um pouco de sol num gramado bem verdinho, convidativo a uma boa espreguiçada é uma boa coisa. Candy tinha bom gosto... Talvez a casa com varanda e talude possa continuar fazendo parte dos planos... Talvez eu possa continuar usando essa visão nos dias não tão bons, para levantar e fazer o que é preciso com alegria e disposição. Candy me ensinou que ceder nem sempre é ruim. Às vezes o outro está certo, e o jeito dele de fazer as coisas pode servir pra gente... Agora eu só preciso dar um jeito de parar de chorar quando me vem a imagem completa à mente, por que ela está lá, lindinha, com a barriguinha quente de sol, piscando os olhinhos pra mim e me fazendo querer ganhar na loto pra não ter que sair com hora marcada pra atender ninguém... Nos meus sonhos a Candy ainda está lá... 



JulyN.
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29 de jun. de 2015

Aquele instante em que tudo parece estar no lugar em que deveria!!!

Tulipa de frango... Uma das coisas mais gostosas que já comi.
Foto cortesia de Rede Globo.
Hoje fui visitar minha cunhada e meus sobrinhos... Ela é viúva de um de meus irmãos. Marcelo... Nunca consegui responder à pergunta sobre minha família sem incluí-lo na conta, embora ele já esteja morto por boa parte da minha vida. Mas algumas pessoas não precisam se materializar para fazer parte... Quando me perguntam, sobre meus irmãos, ele sempre está na conta... Por que não consigo esquecer todas as vezes que pegamos aqueles cheques de depósito ou de compensação, comuns nos anos 80 nos balcões do banco, e levamos pra casa pra brincar de escritório. Não dá pra esquecer 'tulipa na chulipa', Marqui Marque Andide Fankybunche, quatro de julho, aniversário do Matheus... 

Ah... Matheus... Na minha arrogância realmente não pensei que um menino daquele tamanhinho ia ter algum dia alguma coisa pra me ensinar. Meu sobrinho. Lindinho, com a carinha mais fofa do mundo. Carinhoooooso. Sempre muito bonitinho e querido... Ia ser um barato ver Marcelo ser pai. Por que Gibinha ficou mais bonito, mais interessante, depois que Gabriel nasceu. E, depois da chegada da Gigica, então, Gibinha virou quase uma pessoa bacana. Feito incrível desses dois anjos que ele chama de filhos. Tudo o de melhor e de mais bonito que vi sair do Gibinha tinha um dos dois, Bi ou Gigica, como sujeitos protagonistas. 

Marcelo já era bem legal. Mas era um legal meio desconexo. Ele nunca fez parte de fato. Lembro de muita coisa com ele, mas também lembro de muita coisa sem. Por que era assim. A gente não podia contar muito com a presença dele. Marcelo simplesmente aparecia, ou não. E meio que, com o tempo, nos acostumamos com isso. Até por isso, talvez, meus pais demoraram a perceber que os sumiços foram ficando mais longos... Perigosamente longos... Até que um dia ele não estava mais lá, de fato.

Mas reapareceu... Em cada sorriso do Matheus. Em cada gracinha que ele fazia. No pedido por um caminhão basculante que um dia ele me fez. Tinha 4 aninhos. Afinal, o papai não havia rebocado a casa, e ele precisava terminar o serviço. No dia em que chorou quando foi 'zoado' por nós. Uns 10 anos, acho. Deitou na cama, escondeu a cara entre os braços e chorou. Ficou emburrado, triste. Igualzinho ao pai. Careeeeeente!!! Quando começou a sumir... Uns 16 anos... Sempre sorrindo, sempre do time do deixa disso, sempre vivendo e deixando viver... Sumiu por muito tempo também, algumas vezes. Mas sempre voltou... E continuou voltando. E aprendeu que precisa sempre voltar. Por que nós o amamos. 

Matheus!!! 
Amamos demais, segundo ele. Ah... Surpreendeu-me com essa, há alguns anos atrás. Eu, fazendo meu papel de tia, reclamando que ele não participava dos eventos familiares mais, que nunca estava em casa, e que estava se tornando um sobrinho virtual. 'Tia, o problema é que as pessoas me amam demais!' Demorei uns anos para entender. Lição aprendida, mestre. De vez em quando também me sinto amada demais. Isso cansa.

E, quando eu achava que íamos perdê-lo para o mundo de vez, quando pareceu pra mim que não havia laços que o prendiam, ele me surpreendeu de novo, voltando adulto, bonito, consciente de si e do mundo. Feliz!!! Não foi para a faculdade, mas sabe uma porção de coisas. Não mora numa casa, mas tem um lar. Com todas as coisas que uma tia careta poderia achar que dariam uma bela receita para o fracasso, ele se fez. Assim... Livre, inortodoxo, completo. Um ser humano pra lá de legal! E, no caminho para alcançar a vida que queria, visitou lugares, conheceu pessoas, entendeu culturas... E deu uma lição de moral involuntária na tia que um dia sonhou ser arqueóloga para viajar o mundo. Bastava querer de fato, e se jogar. 

Hoje fui visitá-lo. Fui ver minha cunhada também. Ela é uma boa amiga. Almoço em família, conversas triviais... Ele mostrando o trabalho. Matheus faz bijuterias finas, em arame e ferro e outras coisas. ADORO!!! Imagina, né, eu?!? KKK Ele mostrou os colares lindos de viver que tem feito. Lindos mesmo. De encher os olhos. Enfim... Aí, ele disse que se eu tivesse uma ideia na cabeça, e quisesse um design exclusivo, era só falar que ele fazia... 

Imperatriz Menina entregando Fantasia para Bastian. 
Foto cortesia de Uyulala.
Bom, não sei quantos de vocês sabem que sou apaixonada pelo livro 'A História Sem Fim'. E, sim, quero um dia ter um Aurin. Mas, por enquanto, estou me contentando com Fantasia... Sim, Fantasia... Não vou estragar a experiência de quem nunca leu o livro ou viu o filme. Eu quero um colar com um pozinho brilhoso num recipiente de vidro, que não escureça ou descasque com o uso. Mais ou menos isso... O pozinho, no livro, é a areia que dá origem à Fantasia. É uma representação de cada sonho e pensamento das crianças humanas... Ou seja, o pozinho é a representatividade das possibilidades da cabeça sonhadora... Quem me conhece, tá ligando lé com cré? Eu, pessoa pouco sonhadora.... Hahaha. 

Matheus vai fazer o colar. Tô feliz... Não só por tudo isso já explicado. Foi o momento em si. Enquanto falávamos, ele prestava atenção na minha ideia, e eu perguntava se era possível quebrar uma pedra da lua, talvez... E ele dizendo que sim... E que ia fazer... Este momento. Este instante... Tudo pareceu tão no lugar!!! Foi como brincar de secretária de novo. Imaginação é um negócio que me leva longe, e quem me deu essas asas foi Marcelo, quando inventava as coisas mais loucas para divertir a irmãzinha dele. E lá estava o filho do Marcelo, planejando como ia fazer Fantasia para mim!!! Genética é tudo!!! Matheus conhece o pai dele pelos relatos de todos nós, que não devem ser muito acurados, por que é extremamente difícil descrever tudo o que há numa pessoa... E como foi que se saiu assim, tão parecido? Mistérios da vida... 

O rapaz que acha que o amamos demais com certeza não gasta nem dois segundos pensando nisso, analisando os mecanismos do mundo. Ele prefere viver!!! Quer apenas o conhecimento necessário para desfrutar da vida, e as coisas necessárias para não morrer. Seja lá o que forem elas. Por que pra cada ser humano é algo diferente... 



JulyN. 
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