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18 de dez de 2012

O PAI DA MÔNICA!!!

Para começar este texto, que acho eu, irá lançar uma daquelas correntes do bem (assim eu espero), preciso já voltar no tempo. O assunto aqui, na verdade, é a Bienal do Livro. Ou teria que ser... Enfim...
Há quatro anos, eu e minha amiga fomos à Bienal do Livro, em seu último fim de semana. Loucura total! O local estava abarrotado. Muita gente... Andamos com dificuldade e vimos coisas com dificuldade... É claro que uma parada obrigatória é a editora Panini, especializada em revistas em quadrinhos. É que minha amiga é muito fã dessas coisas. O que eu não sabia até então é que ela era muito fã de Maurício de Sousa. Descobri ali, naquele momento, de um jeito bem peculiar...
Maurício de Sousa e suas criações.

Primeiro... Quem é Maurício de Sousa? Bom... Pra quem esteve em outro país, outro universo, a explicação é simples, e não dá a dimensão que esse nome carrega. Ele é um cartunista. Autor da ‘Turma da Mônica’, celebre conjunto de personagens que toda criança brasileira lê!!! Não vou entrar em detalhes, por que seria necessário um post só sobre ele para esmiuçar a sua biografia. O caso é que ele é adorado por zilhões de fãs e admiradores de seu trabalho... Incluindo minha amiga.

Aí, estávamos lá na Panini, e descobrimos, por uma fila gigantesca que já se fazia em volta do stand, que ele estaria lá no fim daquela tarde para autografar seu livro novo, comemorativo dos cinqüenta anos de ‘Turma’. Aí, fomos procurar saber se podíamos entrar na fila, e descobrimos que todos que estavam lá tinham algo em comum: uma senha... Tentamos conseguir uma, mas elas já estavam esgotadas.
Não lembro o que aconteceu depois disso, por que um ato incomum chamou mais atenção: minha amiga começou a chorar! Ela realmente estava chorando feito uma fã de New Kids on the Block na porta do estádio, sem ingresso para o show. E aí, enquanto eu a consolava, ela explicou sua adoração pelo autor...

Nestas ocasiões, eu nunca choro e desisto. Duas coisas que eu não faço. Nós estávamos lá! Ele estaria lá! Minha matemática se voltou para a equação de fazer essas duas coisas acontecerem juntas! A primeira coisa que pensei foi em ficar lá, por perto, e esperar a sessão de autógrafos acabar. Talvez na saída dele, se fôssemos espertas, conseguíssemos alguma coisa. Era uma boa ideia. E assim ficamos rondando a fila como dois urubus!!!
Mas minha tática não garantia nada. Precisávamos de algo mais certo. Uma senha... Que não tínhamos... Hehe E aí eu virei pra minha amiga, com uma daquelas idéias mais toscas ainda, e pedi que ela continuasse chorando... “Vou pedir pra alguém da fila, com senha, pra deixar você entrar junto. Mas você tem que convencer!”
À princípio ela não acreditou que eu teria coragem. Rondamos a fila mais um pouco, e eu puxei conversa com duas meninas que pareciam animadas, felizes e eram muito simpáticas. Pré-adolescentes... Com seus livros novos e uma senha em punho. E aí eu usei da minha cara de pau para fazer o pedido... Expliquei que minha amiga era muito fã e estava muito triste, por que não soubemos antes que ele estaria lá. As meninas prontamente concordaram em nos ajudar. Minha amiga passou pro outro lado do cordão de isolamento e em troca eu prometi tirar fotos de todos com o Maurício, e enviar por e-mail para elas. Conversando ali, enquanto esperávamos, criamos uma história de que minha amiga era a tia delas, e que elas tinham todas comprado os livros juntas, e por isso tinham uma senha só para três pessoas. Mas uma delas ainda falou: “Se ele só quiser autografar um, a gente deixa ser o dela. Ela é mais fã!”
Naqueles momentos que passamos com as duas meninas na fila – vocês sabem quem são – as lágrimas de tristeza deram voz às de emoção. Eu e minha amiga percebemos o poder e a magia de Maurício de Sousa. Em que lugar do mundo coisas assim aconteceriam??? É claro que a magia não teria efeito em pessoas com os corações de pedra, e por isso aproveitamos para agradecer às duas meninas mais uma vez. Aquele foi um dos momentos mais bacanas de nossas vidas, e vocês foram responsáveis por isso.

Esperar em pé na fila que parecia não ter fim, depois de passar o dia andando pela bienal não é fácil. Mas acreditei que estava ali por uma boa razão. Só não imaginava o que viria no momento em que minha amiga estivesse com Maurício. Aqueles minutinhos preciosos... Ela o abraçou com força, chorou de emoção, ganhou seu autógrafo e um desenho na capa do livro. Pura emoção... Quando saiu, estava em alfa. Disse que falou algo ao ouvido dele: “Aprendi a ler com a Turma da Mônica!” E ele teria dito: “Que Bom!”
Eu fiquei fotografando do lado de fora, emocionada com o sorriso convidativo e o carinho daquele homem que já tem tudo, não precisaria fazer mais nada... Mas está lá, todo ano, recebendo o amor das mais variadas pessoas, e construindo os sonhos de quem ainda tem uma vida pela frente. Sim... Por que é exatamente isso que ele faz!!!

Dois anos depois, lá estávamos nós de novo, na Bienal. Eu marquei a data que iríamos. Desta vez fui esperta. Marquei para o primeiro fim de semana. Não queria ter que ficar esbarrando nas pessoas desta vez. E eis que quando fui ligar para a minha amiga, para confirmar o horário de encontro no metrô, ela, contente, me diz que eu escolhi o dia certo: “Maurício de Sousa vai estar lá! E desta vez teremos uma senha!” Esta frase concretizou a aventura de perseguição ao pai da Mônica, por que este seria nosso terceiro encontro – entre uma bienal e outra houve uma sessão de autógrafos numa livraria aqui em São Paulo, e nós também fomos.
Para pegar a senha, era preciso chegar cedo. E foi o que fizemos. Corremos para a Panini antes de fazer qualquer outra coisa. Compramos um novo livro que estava sendo lançado, e obtivemos a tão sonhada senha! Só depois disso fomos passear pelo Anhembi.

Nosso doutor fazendo graça.
Além de nós duas, desta vez contamos com a ilustre presença de um futuro médico. Namorado da minha amiga. E um cara muito legal. Por conta disso visitamos muitas editoras científicas, e folheamos muitos sonhos de consumo dele. Livros de anatomia e fisiologia. Vários autores, vários desenhos, várias fotos... Dissecações... Universo que eu conheço bem, e que vivi muito na faculdade de Fonoaudiologia. Alguns podem achar que isso foi chato. Não... Foi muito legal. Por que é como eu sempre digo: não é o que, e sim com quem. Se eu tivesse a intenção de só olhar o que eu gosto, iria sozinha à Bienal. Não nasci grudada a ninguém, e nunca precisei de ninguém para me divertir. Consigo fazer bem – às vezes até melhor do que acompanhada – isso sozinha. Mas, fui com amigos, por que também é divertido estar com eles. O grande barato não estava nos livros. Estava em conhecer um pouco mais desse meu novo amigo, saber do que ele gosta e criar memórias com ele.
Enfim... Ele também olhou coisas que até Deus dúvida, apesar de muitos acreditarem ser a palavra do próprio, - sou viciada em Bíblias, e não por seu cunho religioso - para acompanhar a mim e a minha amiga. Conversamos muito, folheamos muitos livros, fizemos um piquenique... Um dia agradabilíssimo. E já estaria bom assim, sem que Maurício de Sousa precisasse aparecer.

Então, né? Levamos um 'menino'. As fotos foram assim!
Mas ele veio ser a cereja do bolo! Uns quarenta minutos antes do indicado para sua chegada, fomos para a famigerada fila da Panine. Munidos de senha (haha)!!! Os três cansados de tanto andar, nosso amigo doutor caindo de sono (vida de aluno de medicina não é fácil), mas todos felizes em terminar o dia ali, naquele universo tão encantado, cheio de esperança, onde as crianças eram maioria.
Difícil colocar em palavras o que eu sinto nessas situações. Tem uma energia diferente. Eu fiquei imaginando se Justin Bieber ia causar tanta comoção com sua presença. Vi crianças passando pela fila desoladas por que não tinham senha... Vi mães tentando convencer seus filhos que tinham que ir embora. Nada disso as tirava dali. Todas queriam ver O PAI DA MÔNICA! Num dado momento um menino passou por nós. Em idade de alfabetização, com uma revistinha da Mônica na mão, chorando. Eu e minha amiga ouvimos quando a mãe parou, o abraçou e o consolou... Ele estava sem senha. E chorava um choro sentido... Eu estava de costas para ele. Mas me virei e ofereci deixá-lo ficar com a gente na fila, sem nem perguntar à minha amiga. Mas ela concordou prontamente.

Foi mágico de novo! Ele passou para o outro lado do cordão, nos apresentamos, e dissemos que ele tinha que fingir ser o sobrinho da minha amiga, para que ninguém encrencasse com a entrada de duas pessoas. Ele não tinha o livro que estava sendo lançado. Mas minha amiga disse que ia tentar conseguir o autógrafo na revistinha dele.
A mãe do menino então explicou que a adoração dele vinha do fato de estar no comecinho da alfabetização e de ficar todo empolgado com a possibilidade de aprender a ler através dos gibis da Mônica. O pai do menino veio e bronqueou com ele, por chorar... Nós tentamos dar uma aliviada... Família normal, bonita, muita gente em volta. Talvez até por isso o menino tenha nos cativado. Por ser só um menino, simples, bacana, muito bem educado.

Desta vez deixei o namorado da minha amiga encarregado das fotos. Ele é alto... Teria facilidades... Eu fui para a porta por onde eles sairiam, e fiquei esperando. A estrutura onde Maurício fica todo ano é de vidro. Quem não tem senha pode ficar lá em volta para vê-lo. E aí eu presenciei a coisa mais fantástica... Crianças se revezavam no vidro, perto de onde eu estava, lambendo aquela vitrine como se fosse de doceria. Suspiravam e olhavam com carinho para aquele homem. Era muita energia positiva. Difícil mesmo explicar o brilho nos olhos daquela garotada. Menininhas chorando por que não iam poder entrar, pais tentando arrastar as crianças do local... Ah, como eu queria ver todos ali entrando para ter seu momento com Maurício.
Uma menininha, com uns cinco anos, mais ou menos, chegou no vidro, eu dei passagem para ela ver melhor (minha posição era privilegiada), e ela exclamou para a mãe: “Olha, mamãe! Que lindo o PAI DA MÔNICA!” Ah!!! Como eu queria ter colocado aquela menininha pra dentro...

Minha amiga em seu momento.
Quando minha amiga saiu, com nosso pequeno convidado, trouxe uma novidade. Como eu não tinha prestado atenção lá dentro (estava mais concentrada nas crianças) não vi o que aconteceu. Maurício assinou o livro de minha amiga achando que era do menino. Colocou o nome dele. Minha amiga avisou, mas logo depois disse não haver problemas. Ela daria o livro pra ele... Mas Maurício não se contentou: “Não, não está tudo bem!” Pediu que um dos funcionários ali pegasse outro livro na Panini, e aí sim, autografou para ela. Esse segundo livro foi ofertado, e ela não teve que pagar por ele.
Estavam todos em estado de graça no final. Que homem! Que classe! Que tudo! E que bacana que uma criança viu isso de perto... Que exemplo! O menino nos agradeceu, animado por ter ganhado um livro, e foi embora com sua família.

Nós três também fomos. Fila para pegar o ônibus que levava até o metrô... Nossa! Não sei como tivemos forças!!! Estávamos mortos. E no paraíso, por que tudo tinha sido bom, e o final tinha sido excelente. Essa cereja foi colhida no Japão, com certeza!!!



JulyN

1 comentários:

  1. Nossa, adorei a reler essa história no blog. Fiquei arrepiada. Foi exatamente isso, mas sentir essas emoções só lá mesmo. Façam uma força, convidem seus amigos e vão à próxima Bienal. Bjos

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