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14 de jun de 2013

Protesto ou baderna?

Essa viagem super confortável custa R$3,20 em São Paulo.
No inverno é uma delícia! Um calor humano...
Impossível ficar calada nesses dias, sendo uma cidadã paulistana - nascida e criada na cidade. Mesmo tentando me manter imparcial publicamente, os diferentes comentários e as notícias desencontradas me chegam através das mídias sociais. E aí acabei me revoltando com algumas coisas que li, de pessoas esclarecidas. Então, já que este blog é pessoal, e promete versar sobre as minhas caraminholas, resolvi me expressar aqui. E vocês, leitores, ficam livres para concordar ou não comigo, e opinar nos comentários, por que todas as opiniões serão lidas, discutidas e respeitadas. Contando que elas também respeitem a todos.

Acho que muitos já sabem do que estou falando. Vou me referir à São Paulo, por que é o que eu conheço. Sei que as manifestações contra o aumento dos transportes públicos têm ocorrido em outras cidades também. Mas deixo aos moradores de cada uma delas o direito de versar a respeito de cada situação. Vou discutir a realidade que conheço, apenas. Antes de falarmos sobre os protestos, quero deixar claro algumas coisas: sou a favor de manifestações pacíficas; acho que já pagávamos bem caro por uma condução ineficiente, desconfortável e insuficiente; e, não tenho carro, sendo, portanto, uma usuária do transporte público do estado de São Paulo (faço algumas viagens intermunicipais de trem). Acho importante deixar isso claro, para que percebam que meus comentários não são de alguém assistindo à televisão. Eu vivo esta realidade. 

Agora que você sabe qual é minha parte nesta situação, vamos aos protestos. O primeiro ocorreu na quinta-feira da semana passada. E eu ia participar. Questionei com o grupo organizador, através do Facebook, a legitimidade de um protesto marcado para o fim da tarde, num dia de semana. Por que, minha ideia para o protesto era mobilizar as pessoas da cidade, para que elas também mostrassem sua indignação com o aumento do busão. Minha ideia era agregar os usuários do transporte, ou seja, trabalhadores e estudantes. Não sei vocês, mas às 17hs. de uma quinta-feira, essas pessoas estão trabalhando, ou saindo do trabalho, tentando chegar em suas casas. Este foi meu argumento na discussãozinha que ocorreu no Facebook. Ao que um dos protestantes respondeu que, naquele evento, o objetivo era chamar a atenção do nosso prefeito, e não da população. Achei um objetivo meio furado, até por que se não há uma ameaça populacional, o prefeito não vai ouvir meia dúzia de gatos pingados. 

Enfim... Por conta dessas divergências de idéias, resolvi não ir à manifestação. Por que acho que devemos sim contar com o apoio de quem usa o transporte público. E no fim achei que foi uma boa coisa não ir, por que no dia seguinte, no noticiário, começaram as notícias das badernas, do vandalismo e da violência geral. Ao mesmo tempo que desaprovo isso, tomo um pouco de cuidado em tomar as notícias como verdades absolutas, por que já vimos acontecer situações em que pessoas infiltradas nas manifestações incitam a bagunça, com objetivos políticos. Então, como não estava lá para ver o que estava acontecendo de verdade, não me sinto à vontade de comentar o que vejo na mídia tendenciosa deste país. Sejamos mais espertos, minha gente. As televisões abertas aqui são Estatais. Concessões do governo aos empresários... Não há televisão aberta particular neste país, na verdade. E vocês esperam notícias imparciais e completas destes meios de comunicação? Qual é!!!

E aí, depois de uma semana de protestos, polícia nas ruas e badernas, as opiniões começaram a se acumular. Hoje recebi um vídeo, feito nos protestos de ontem, que mostra a polícia COMEÇANDO os ataques. Ou seja, o protesto era pacífico, até que a polícia despreparada resolveu atacar.



Então... Antes de continuarmos o assunto, quero fazer alguns agradecimentos. Primeiro à 'Rede Esgoto de Televisão', um grupo de discussão no Facebook, por terem disponibilizado o vídeo acima. Não sei quem foi o autor do vídeo. Mas quero agradecê-lo mesmo assim. Se você está lendo esta postagem, por favor se identifique nos comentários. Faço questão que seus créditos sejam dados. O vídeo é muito educativo (sem ironia). 

Voltando à nossa discussão, quero que percebam que não estou criticando os policiais como pessoas, até por que para cumprir com seu trabalho eles têm que ter esse distanciamento. Mas, critico sim a falta de preparo na corporação. E duvido um pouco da legitimidade da ação dos policiais. Não sei se, cumprindo ordens de cima, é claro, a intensão deles não era mesmo provocar a violência. Este é um ponto a ser discutido... Mais uma vez, nadinha contra os homens e mulheres que compõe nossa força policial. Muito pelo contrário. Servicinho difícil o deles. Tenho certeza que muitos, se pudessem, não seguiriam as ordens burras que lhe são passadas pelas autoridades maiores... 

Aí, olhando os comentários em meu Facebook, deparei-me com esse mundo paralelo onde pessoas como eu, trabalhadoras, cidadãs e usuárias de muitos serviços públicos, parecem estar ferrenhamente contra as manifestações!!! E sim, achei estranho por demais. Opiniões descontextualizadas, impregnadas pelo achismo comum a quem assiste Globo, e coisas afins. Não vou citar nomes, por que acho que todos têm o direito de se manifestar livremente, sem serem achacados por isso. Mas, um dos comentários que me causou espanto veio de uma conhecida minha, que dizia que ao invés de manifestação contra um aumento de R$0,20 na condução, deveríamos nos preocupar com os corruptos, a deficiência na educação, na saúde... Era mais ou menos isso. 

Pois é, minimamente infeliz essa declaração, NA MINHA OPINIÃO. Precisa um pouco mais de conhecimento, antes de falar esse tipo de coisa, né? Primeiro, quem são os manifestantes? A maioria é de estudantes que dependem do transporte público diariamente. Ou seja, são pessoas que não gastam apenas R$0,20. A condução faz parte do orçamento nas casas delas, e sai do bolsos de seus pais, que normalmente não têm apenas um filho para sustentar. Este é o universo em que os manifestantes estão inseridos: acordam muito cedo todas as manhãs, pegam o ônibus lotado, viajam em pé por cerca de uma hora, sendo amassados e apalpados por estranhos, e pagam caro por isso. Isto é justo? É a falta de qualidade no serviço que revolta, e não os R$0,20 centavos. E, se o preço vai aumentar, a qualidade não deveria seguir a mesma conta? 

Quanto a protestar pelas outras coisas, não estou vendo mais ninguém se mobilizar para nada. Nem as pessoas que estão criticando este protesto. Minha resposta ia ser curta assim, mas vou me alongar (por que eu sou prolixa, e o blog é meu). Se um Chinês for mal atendido num hospital da China, você, brasileiro que está lendo esta postagem, vai protestar? Pois é... Por que um bando de alunos deveria protestar por algo que, para eles, está distante de suas realidades? Na prática, não está, eu sei. Eu, uma mulher de trinta e cinco anos, sei... Quer mesmo que um moleque de dezoito tenha o mesmo discernimento? Você que está lendo, e tem mais de trinta, lembra da sua adolescência? Por que parece que não... E só por que a você parece fútil esta reivindicação, isso torna menos legítimo o direito deles de protestar? 

Está se sentindo prejudicado com a saúde pública no pais? A rua é de todos. É livre para fazer o seu protesto. Não gostou de como as punições do mensalão foram aplicadas? FAÇA ALGUMA COISA. Não fique esperando que outros façam por você. Não pode querer comer o bolo, se não bateu a massa. Os manifestantes deste protesto se sentem prejudicados sim com um aumento de R$0,20 na condução. E estão certos em reclamar. Este é um direito constitucional deles. 

E aí algumas outras pessoas me falaram que não são contra às manifestações, e sim contra a violência dos protestos. Pois é... Eu te pergunto: você manda seu filho brincar no parquinho, e ele chuta um coleguinha por qualquer motivo que seja. Todas as crianças do parquinho devem ser punidas? Houve vandalismo? Houve, é claro, numa grande multidão escondem-se também os baderneiros e infelizes aproveitadores. Vamos punir os estudantes pobres que não podem pagar mais caro na condução, e estavam lá fazendo uma justa reivindicação, por conta desses idiotas? A polícia ajudou a piorar a situação. Se eu estivesse lá, e fosse achacada por um policial, em resposta à baderna de uma pessoa que eu nem conheço, também ficaria revoltada... 

Houve violência. Houve baderna. Houve gente mal intencionada. Houve gente tentando realmente mudar alguma coisa pra melhor. Isso se chama multidão. Se você, que criticou os protestos, colocando todos num balaio de gatos, chamando a todos de vagabundos arruaceiros, ou criticando os motivos da manifestação, sabe fazer melhor, por favor nos ensine. E faça!!! O Brasil precisa de pessoas perfeitas como você. 







JulyN

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