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6 de mar. de 2015

Dormindo no busão!

Desenho cedido por Amarelo e Verde Alface.
Vc tira a menina da periferia, não a periferia da menina... KKK 

Hoje acordei às 6 - não riam, para mim isso é um tremendo sacrifício - para resolver algumas coisas para uma cliente. Muito busão, muita fila, muita atendente incompetente fazendo pergunta idiota. E eu tenho que especificar essa, por que vocês não fazem ideia... Eu vou ao local cancelar um serviço, levo documentos da minha cliente, e um atestado de óbito da mesma... Sim, uma de minhas clientes faleceu, e está sendo um momento triste pra mim, pois gostava demais dela... Mas, voltando a atendente, explico pra moça que a titular do serviço faleceu e que morava sozinha. Então não há mais interesse em manter o serviço funcionando. A moça digita algumas coisas, pergunta se eu quero cancelar - achei que tivesse sido clara -, eu respondo que sim, e ela olha bem dentro dos meus olhos e pergunta: qual o motivo do cancelamento?
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5 de jan. de 2015

Tudo acaba em coliformes fecais...

Eu no quarto do hospital, trabalhando...
Eu estou aqui, sentada, esperando que uma função muito básica e natural dos nossos organismos aconteça. Mais uma vez o universo me ensina que no fim, tudo acaba em cocô! Uma de minhas clientes idosas... As novidades do dia são as fraudas e a inabilidade de se levantar e ir até o banheiro. As dificuldades são as fraudas e a inabilidade de se levantar e ir até o banheiro... E por mais que o quadro estivesse progredindo desde o dia 22, e eu sabia que este dia ia chegar, tenho a péssima mania de achar que milagres acontecem. Enfim... Sei lá, vai ver que Deus é Corintiano. Faz gol aos 46 minutos do segundo tempo... 

Eu saí de casa atrasada. Acordei cedo, e tomei meu banho, forcei uma amizade para ver se as minhas necessidades fisiológicas saíam todas - viu como tudo é sobre cocô -, mas aparentemente meu intestino manda em mim. Ele e minha bexiga, na verdade. Eles funcionam quando querem funcionar. Minha bexiga se mancomunou com minha falecida mãe. Só falta gritar, por volta das oito da manhã: 'tá pensando que isso é albergue?' Minha mãe falava isso quando eu acordava às onze da manhã, com a maior cara amassada, depois de ter passado a noite na esbórnia da internet. Eu nunca entendi o comentário, já que os albergues que conheço todos tem hora para servir café da manhã,e  não é às onze... Enfim... 

Eu não costumava ter problemas com a bexiga na adolescência. Bom, minha médica discorda. Ela diria que agora eu tenho um órgão que funciona adequadamente, pois o certo é ir ao banheiro quando se tem vontade. Antes eu conseguia segurar, e nem me incomodava com isso. Bom, eu achava que não me incomodava... Aí fui nessa médica uma vez, reclamando de incômodo na área da pélvis, e sonolência, e queda excessiva de cabelo, e outras coisinhas assim, e a médica juntou tudo e chegou à conclusão que eu tinha uma infecção urinária. Nunca achei que coca-cola, chá mate e chocolate fossem tão intoxicantes - hehe. Aí veio a receita para melhorar: muita água e não segurar o xixi. E aí acabaram-se as minhas manhãs de domingo na cama. A bexiga não deixa eu permanecer muito tempo lá. 

Mas a danada esqueceu de passar o memorando para o intestino. Esse continua como antes. Não tem pressa pra nada. Faz o serviço dele com calma e excelência. O caso é que não sou adolescente há bem uns vinte anos - nossa, velhice -, e com a idade vem o trabalho, e a responsabilidade de pagar suas próprias contas. Aí você combina com o corpitcho que quando o despertador tocar você terá lá uns quinze minutos entre tomar café e banho, tempo suficiente para tudo se colocar em funcionamento, antes que você se troque, se perfume, se arrume todinha e saia correndo, para não perder o busão passando no ponto. Mas a bexiga tem prioridade. O despertador toca, e vem um súbita e desesperada vontade de fazer xixi. Beleza... Passamos por isso numa boa. Mas aí vem os 15 minutos, e mais 30, tempo em que mulheres se emperiquitam, e nada... Nada do intestino funcionar. Você tem hora pra descer, ir ao apartamento de uma outra cliente para alimentar os gatinhos que ela deixou para viajar, e nada... E quando você está em direção ao ponto de ônibus, rumando para o hospital aonde vai passar o dia convencendo alguém a usar frauda, aí dá aquela vontade louca de fazer um número 2... Logo após você descobrir que vai gastar uma grana extra para chegar ao hospital, depois que não conseguiu carregar o bilhete único. Não é legal?!? Tudo sempre acaba neles, os danados coliformes fecais. 

E incluo neste meu raciocínio o fato de amanhã eu ter pagar cinquenta centavos a mais em cada condução que eu pegar, por que eu não sou estudante... Eu sou a pobre coitada que trabalha cerca de doze horas por dia, e passa mais duas horas num transporte público de péssima qualidade, e que paga impostos cada vez que respira nesta cidade bagunçada - estou falando de São Paulo... Claro que eu posso dispôr de mais um real por dia, de segunda a sábado. Por que três reais não eram suficientes para me empobrecer, aparentemente, e seguir com o plano do PT de tornar este um país socialista. Para que eu fique tão na merda - opa, falamos nisso de novo - quanto boa parte da população, foi preciso aumentar em 50 centavos o valor unitário da condução pública na cidade de São Paulo. Ainda bem que acredito em milagres, e acredito muito em mim, por que do contrário eu já teria cometido um harakiri. Mas que está muito complicado engolir esse aumento, quando prestamos atenção na péssima qualidade do serviço prestado, isso tá...

Mas a vida vai continuar, e eu espero que o trabalho continue me trazendo alegrias pessoais - não que eu fique feliz com a doença e velhice alheias, mas sim fico feliz quando consigo ajudar essas pessoas -, e um bocadinho mais dinheiro, por que para viver num país governado pelo PT, com inflação fungando no cangote, só se eu conseguir ganhar mais do que a dita cuja consome do meu salário... 



JulyN.

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18 de fev. de 2014

Do you think you live in Switzerland? - Public transportation in SP.

Today I start a series of cool posts - I'm being sarcastic - about the infrastructure of our beloved São Paulo, and the human material found here. (Moment of silence for contemplation of doom.) I Decided to make this series recently, after going through several sui generis situations going from home to work and vice versa. And I'm talking only about 2014. Last year had a lot too, and some of them I have outlined here on the blog. So, there's a lot to be ashamed of. 

2014 promised to be better. Soccer World Cup, people trying to learn some new things to receive tourists, things settling ... Only not! (Shamelessly paraphrase Otário Anonymous.) I started the year working hard, having to take the bus and subway to get to the job... I live in São Paulo... These are the ingredients for the hell on earth!

Many people ask me why I prefer to take the bus instead of the subway . Well , I have observed that people in buses , in general, are more educated with each other than the people of the sub. The second group seems to be more stressed and always late, and less happy than the first. Although the first group is noticeably poorer people. You see, it's not the money that guarantee happiness! Well , in my first week of work in 2014, I decided to make a Paulistana (person born and raised in São Paulo) and save time using the subway. This idea lasted two days... Getting squeezed on a train underground without access to daylight, having to deal with the lack of education of the people around did not please me . See an old lady being pushed off the wagon , because an idiot with some serious cognitive problem needed to go down on that station did not appeal to me . I gave up this life in two days, because I don't have the money to buy a bazooka - a dream of consumption from some time now. Not to mention that all the time I saved on the transportation, ended up being spent on the walks to get to the subway stations.

Bus became the solution. Very good to be in a airy vehicle with less sullen people around me, usually nicer than the ones at the subway. The possibility of going down if something bothered me ... And, incredibly, the possibility to make the journey sitting. Besides catching two buses I can go virtually from door to door, without too much walking. Everything perfect! Or maybe not?

The first event that started to bother me regarding the buses was the changing of the place where the second bus that I take home is located . Now we get into the Ana Rosa Terminal, without any signaling and without a proper space. That accumulation of people from three lines , and the lack of coordination to ride queues drives me crazy . Everything was following its course, exits from the bus going every fifteen minutes, which made ​​me less upset to stay standing there with that bunch of people desperate to get home . After all, I was in the same situation . One day I got in line . Asked girl in front of me if it was the line for the X bus, and she confirmed . I was behind her. Time to crawl , a lady pushed me , and said he was in line in front of me. WTF?!? All the time this lady was in a snack bar, near the queue, eating, never in line, indicating she was going to take that bus. I called her a rude , for pushing me , and she said that I was poorly educated, for stealing her place in the queue . This was my moment of wanting a bazooka again. Jesus , I just wanted a bazooka! But I had to take a deep breath. I wanted to go home.

Isolated case. I ignored it, and went happily sitting home. A few days later the bus delayed his departure. People kept entering. Apparently the subway had a problem, and people were looking for alternatives. Okay, what to do. Isolated event, subway can present problems ... Everyday??? Because suddenlythat's what started to occur. There were always a crash somewhere and that overloaded the bus system. And going back home became slightly more stressfull, as well as reaching the job.

Alright, let's surpass that. What else can go wrong? Oh yeah, spirits of pigs - a very common breed in São Paulo - can burn some buses, forcing utilities to relocate part of fleets of other lines to suply the defalcated. Suddenly the bus that left every fifteen minutes started to have a half-hour gap. Seriously, a bazooka would make me immensely happy. A helicopter with a driver, and a house with helipad too.

Well, let's get over it, because I still travel sitting in the bus, and I walk far less than I would with the subway. Even when I get sopped for forty-five minutes in  a very hot day in traffic in front of the gate of hell - also known as São Paulo Hospital - smelling my house, with a quarter mile between us. I forgave the system when, in the rain, the windows had to be all closed, and I started having an allergic attack because of a deodorant called Avanço, very popular among poorer people. I do not understand what it is that this people think the deodorant can do some good in a sweaty dirty body after 8 hours of work. It doesn't work like that people. As my friend Jefferson says, it is the armpit sport smell. And that brings me to an asthma attack! And makes me unhappy as well! And when I'm miserable I like to eat chocolate, drink coke and fire with bazookas! There was none of those thing on the closed bus, in the rain, smelling armpit sport!

All right. I got home, I took anti-allergic, I went to rest ... And I tried to forget the horror of that day. Then the next day, I took an oxcart. Because that driver may only have bought the driver's license, and should be the type that takes drips at breakfast! After much shaking, I got to sit. But that does not mean the trip was more comfortable for me. I felt every pebble in the street, and every time the bus braked I saw the front seat from up close. Total stress. I thanked God when I got off the bus alive. Five people have fallen along the way. And yes, we complained. That day a bus made the news after climbing a corolla car and killing the two occupants... I started to get nervous. But I went back in one piece to my home at the end of the day. It was only the next day I got another donkey driving. But then I was prepared: coffee candy to stay awake and prevent my nose to end up rubbing the bus floor...

And then, here's my life now: I spend an hour and a half or so in the packed adventure on the bus, with the heat, the rain, the donkey driver, total stress, pain and willingness to use a bazooka, to get to work, and I face it all back on, plus the armpitsport smell and the vision of the gate of hell for forty-five minutes. One day, on the spot, I remarked to a lady about all this, and said that Haddad (our Mayor) had worsened things a little with the change of a few lines, because now we have to catch two buses for short trips. And we talk about young people sitting in the seats reserved and not come out when it is necessary ... I spoke of my indignation. And she asked me: Do you think you live in Switzerland?







JulyN.
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Você pensa que mora na Suíça? - Transporte público em SP.


Hoje começo uma série de postagens bacanas - estou sendo sarcástica - sobre a infraestrutura da nossa querida São Paulo, e o material humano que encontramos aqui. (Minuto de silêncio para a contemplação da desgraça.) Resolvi fazer esta série recentemente, depois de passar por várias situações sui generis nos caminhos de casa pro trabalho e vice e versa. E estou dando conta só de 2014. O ano passado teve muita coisa também, e algumas delas eu expus aqui no blog. Vamos relembrar?


Isso é por alto, por que nem sempre eu conseguia tempo de escrever o que aconteceu em 2013 pra me fazer acreditar que moramos mesmo numa fábula... 2014 prometia ser melhor. Ano de Copa, as pessoas se instruindo um pouco mais para receber os turistas, as coisas se ajeitando... Só que não!!! (Parafraseando descaradamente o Otário Anonymous.) Comecei o ano trabalhando muito, tendo que pegar busão e metrô para chegar até o serviço... Eu moro em São Paulo... Esses são os ingredientes para o inferno na Terra!

Muita gente me pergunta por que prefiro pegar o busão ao metrô. Bem, pude observar que as pessoas no busão, em geral, são mais educadas umas com as outras do que o povo do metrô. O segundo grupo parece ser mais estressado e mais atrasado, e menos feliz do que o primeiro. Apesar do primeiro grupo ser de gente visivelmente mais pobre. Como percebem, não é o dinheiro que garante a felicidade! Pois bem, na minha primeira semana de trabalho, em 2014, resolvi dar uma de Paulistana e economizar tempo usando o metrô. Esse pique durou dois dias... Ficar espremida num trem debaixo da terra, sem acesso a luz do dia, tendo que lidar com a falta de educação das pessoas em volta não me agradou. Ver uma velhinha ser empurrada para fora do vagão, por que um idiota com algum problema cognitivo sério precisava descer naquela estação também não me apeteceu. Desisti dessa vida em dois dias, por que não tenho dinheiro pra comprar uma bazuca - um sonho de consumo de uns tempos para cá. Fora que todo o tempo que eu economizava no transporte, acabava gastando nas caminhadas para chegar as estações de metrô. 

O ônibus virou a solução. Muito bom andar num veículo arejado, com gente menos emburrada me acompanhando, pessoas normalmente até bem educadas... A possibilidade de descer se algo me incomodasse... E, incrivelmente, a possibilidade de fazer o trajeto sentada. Fora que em pegando dois ônibus eu vou da porta de casa à porta do trabalho, praticamente. Tudo perfeito! Ou será que não?

O primeiro evento que passou a me chatear em relação ao busão foi a mudança de lugar no ponto do segundo ônibus que eu pego pra voltar pra casa. Agora ficamos dentro do Terminal Ana Rosa, sem nenhuma sinalização, e sem espaço próprio. Aquele acúmulo de gente de três linhas, e a falta de coordenação para se montar filas me deixa louca. Estava tudo seguindo seu curso, saídas dos ônibus de quinze em quinze minutos, o que me deixava menos chateada de ficar lá em pé, com aquele bando de gente desesperada pra voltar pra casa. Afinal, eu estava na mesma situação. Um dia eu entrei na fila. Perguntei pra moça à minha frente se era a fila do busão X, e ela confirmou. Fiquei atrás dela. Na hora de subir, uma senhora me empurrou, e disse que estava na fila, na minha frente. HEIN?!? Todo o tempo esta senhora esteve fora da fila, na barraquinha de lanches, comendo. Eu a chamei de mal educada, por ter me empurrado, e ela respondeu que a mal educada era eu, por roubar o lugar dela na fila. Este foi meu momento bazuca do buzão. Jesus, eu queria só uma bazuca!!! Mas tive que respirar fundo. Queria voltar pra casa. 

Caso isolado. Ignorei, fui sentadinha pra casa, numa boa. Alguns dias depois o ônibus atrasou sua saída. Não parava de entrar gente. Aparentemente tinha ocorrido algum problema no metrô, e as pessoas estavam buscando alternativas. Tudo bem, fazer o quê. Evento isolado, metrô pode apresentar problemas... Todos os dias??? Por que foi isso que começou a ocorrer. Sempre havia uma pane em algum lugar que acabava sobrecarregando a malha rodoviária. E a volta pra casa se tornou um pouco mais cansativa e estressante, bem como a ida para o trabalho. 

Tudo bem, vamos superando. O que mais pode dar errado? Ah, é, espíritos de porcos - uma raça muito comum em São Paulo - podem queimar ônibus pela cidade, obrigando as concessionárias a relocarem parte de frotas de outras linhas para atender as desfalcadas. De repente o busão que partia de quinze em quinze minutos, passou a ter um intervalo de meia hora. Sério, uma bazuca me faria imensamente feliz. Um helicóptero, com motorista, e uma casa com heliporto também. 

Bom, vamos superar, por que eu ainda viajo sentada no busão, e ando bem menos do que de metrô. Mesmo quando fico quarenta e cinco minutos, num dia de mais de 30 graus, parada  num congestionamento na frente do portal do inferno - também conhecido como Hospital São Paulo - sentindo o cheiro da minha casa, com uns quinhentos metros entre nós. Eu perdoei quando, na chuva, as janelas tiveram que ser todas fechadas, e eu comecei a ter uma crise alérgica por conta do Avanço. Eu não entendo qual é a desse povo que antes de sair suado e acabado do trabalho, eles tiram o Avanço da mochila, se besuntam, e acham que isso vai resolver tudo. Não resolve!!! Como diz meu amigo Jefferson, fica com cheiro de cecê sport. E isso me provoca crise de asma!!! E me deixa bem infeliz!!! E quando eu estou infeliz eu gosto de comer chocolate, tomar coca-cola e atirar com bazucas!!! Não tinha nada disso no busão fechado, na chuva, no congestionamento, com Avanço!

Tudo certo. Cheguei em casa, tomei anti-alérgico, fui descansar... E tentei esquecer o horror daquele dia. Aí, no dia seguinte, peguei um carro de boi. Por que aquele motorista só pode ter comprado a carteira, e deve ser do tipo que toma pinga no café da manhã!!! Depois de muito chacoalhar, eu consegui sentar. Mas isso não significa que a viagem foi mais confortável pra mim. Senti cada pedrinha da rua, e cada vez que o busão freava eu via o acento da frente bem de perto. Tensão total.  Agradeci à Deus quando desci viva do ônibus. Cinco pessoas caíram durante o trajeto. E sim, fizemos queixa. Naquele dia teve o caso do busão que escalou o Corolla... Comecei a ficar apreensiva. Mas voltei pra casa inteira. Foi só no dia seguinte que peguei outro jegue ao volante. Mas aí estava preparada: bala de café pra não dormir e acabar com o nariz no assoalho do busão...

E, então, eis a minha vida agora: eu passo uma hora e meia mais ou menos na aventura do busão lotado, no calor, com chuva, jegue ao volante, tensão total, dor nas costas e vontade de usar uma bazuca, para chegar ao trabalho, e enfrento tudo isso na volta, acrescido do Avanço e a visão do portal do inferno por quarenta e cinco minutos. Um dia, no ponto, comentei com uma senhora sobre tudo isso, e disse que o Haddad tinha piorado um pouquinho as coisas, com a mudança de algumas linhas, por que agora temos que pegar dois ônibus para trajetos curtos. E falamos sobre os jovens que sentam nos assentos reservados e não saem quando é necessário... Eu falava da minha indignação. E ela me perguntou: Você pensa que mora na Suiça?







JulyN.
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21 de dez. de 2013

Black Beat Brasil!!! R&B na veia!!!

Black Beat Brasil
Então, galerinha, dei uma paradinha aí na história do Boyzone, por que estava trabalhando cerca de 12 horas por dia. No restante do tempo eu tinha que comer, tomar banho, dormir... Mas estou voltando aos pouquinhos. E hoje queria dar uma dica bacaninha. A webrádio Black Beat Brasil está de volta com força total. O que mais gosto?!? É uma rádio nacional, que toca o fino do R&B o tempo todinho... E, quando digo R&B, eu falo do 'charme', o movimento black dos anos 90. À partir de agora vou tentar dar uma pincelada em assuntos pertinentes a este que é meu estilo favorito de música. 

A minha proposta inicial, quando desenhei um site com o nome 'Addicted to Music' há 10 anos atrás, mais ou menos, era justamente disponibilizar biografias e histórias do universo R&B em Português. Encontrávamos muito material escrito sobre bandas como Boyz II Men, Dru Hill, Jodeci, e outras, em Inglês. O público brasileiro não tinha muito acesso ao que o americano era inundado. Fiz um site modesto, e coloquei minha primeira história: Boyz II Men. Inocente, não protegi a página de cópias, e vocês que me acompanham sabem que meu texto é um pouquinho pessoal e sarcástico. A decepção foi gigantesca quando achei um site só sobre a banda em Português, com o meu texto lá, todinho copiado, e nenhuma referência a mim ou ao meu site. Durante um tempo continuei com meu projeto, mas restringi o assunto a outro amor da minha vida: New Kids on the Block. E fiz muitas amizades com BlockHeads por causa disso. 

O trabalho, o falecimento da minha mãe, e outros problemas pessoais me fizeram desistir de tudo, e acabei encerrando os trabalhos com o site. Recentemente, com saudade de falar sobre música, resolvi abrir este blog que temos agora, e aos poucos ir colocando os conteúdos que mais me agradavam. Não tinha entrado de sola no assunto R&B por conta da amarga experiência anterior - que não tive com fãs de outros estilos -, mas a amizade com os DJ's da Black Beat me trouxe de volta essa motivação... Então, vamos falar de R&B?!? 

Então, pra começar, posso ser chata? Alguns amigos meus dizem que eu sou briguenta... É que é meio desapontante quando você escuta uma pessoa, principalmente um negão, dizendo que Rihanna é R&B!!! Aí enfraquece o sangue, né? Por que eu sou nipônica, sofro preconceito nas baladas de Nostalgia e de Samba Rock por que não sou melaninada, mas não falo esse tipo de sandice por aí. Rihanna não é R&B. Ela é Urban! E qual é a diferença, July???

Patty Labelle, cortesia de Mr. L. Davis
Pois bem, vamos começar do começo. R&B é uma sigla para Rhythm & Blues, que grosseiramente significa Ritmo e Tristeza. Rigorosamente trata-se de cantar a dor de cotovelo. Como já foi citado na história do grupo Drifters, o termo foi 'inventado' por um jornalista para determinar o tipo de som que eles faziam. Por que antes do R&B, que surgiu nos anos 40, existia a Race Music e o Doo Wop. Chamava-se Race Music qualquer som feito por negros, que se assemelhasse ao gospel cantado nas igrejas que eles frequentavam. O canto gospel negro é bem característico, por que usa o que chamamos de lamentação. Aqueles gritos exagerados, cheios de falsetes e modulações, que no gospel servem para expressar a dor do cidadão, e fazer com que Deus escute suas preces... E é por isso, basicamente, que Deus abençoa mais à Patty Labelle do que você - haha. 

Então, a Race Music era o som secular, que não falava de Deus, mas que tinha essas características do gritos e modulações, e uma batida bem definida. Só os negros escutavam, só os negros gostavam, os brancos achavam uma pouca vergonha e tudo o mais. 

Na mesma época, o Doo Wop tinha um pouco da excelência vocal do gospel, aproveitando principalmente as harmonias corais. Era uma som mais animado, de festa. E logo caiu no gosto dos adolescente brancos que queriam contrariar seus pais quadrados. A evolução branca do 'Doo Wop' é o Rock 'N Roll. Sério... Acreditem em mim... 

A Race Music, por ser mais cadenciada, custou mais para cair no gosto popular, por que era uma música típica dos adultos, e não dos adolescentes. Mas, eventualmente, um contra-tenor fantástico e suas composições bacaninhas, falando sempre de amor, de uma maneira bem melosa, conseguiram vencer esta barreira, e a música passou a ser tolerada nas paradas pop dos Estados Unidos - e do mundo, consequentemente. A imagem de bons moços, limpinhos apesar de serem negros, dos integrantes do Drifters, só ajudou a popularizar aquela música. Mas chamá-la de Race Music (música racial) não ajudava. E foi aí que surgiu a necessidade do novo nome: R&B. Era uma música ritmada, cadenciada (Rhythm), com vocais apaixonados, afetados, interpretados, copiados do gospel, e letras melosas, que falavam das dores do amor (Blues). 

Da década de 40, quando o Drifters dominava as paradas, até a década de 90, quando Boyz II Men tomou o mundo de assalto, pouco mudou. Houve apenas um salto na época de ouro da Motown - década de 60 - com a 'invenção' do que foi chamado de 'o som da Motown'. Tratava-se de uma batida de fundo grave, de percussão, que vinha como base em todas as músicas, de forma cadenciada, lembrando a batida do coração. Esta batida passou a determinar o ritmo do que era chamado R&B. Nos anos 90 tudo permaneceu lá, e passou a ser comum que um dos integrantes das bandas fosse especialmente designado para os lamentos. No Boyz II Men, esta era a função de Wanya Morris. 

Então, é isso... O R&B é composto basicamente por três elementos: a batida de fundo, no ritmo do coração, o lamento, e - quem lamenta, é por algum motivo - a dor de cotovelo. Precisa ter essas coisas para ser rigorosamente chamado de R&B. 

Sisqo, cortesia de Supajam.
E Rihanna? Bom, ela tem a dor de cotovelo, às vezes... Ela tem a batida do coração, às vezes. Ela tem os lamentos, às vezes... Difícil é colocar tudo numa mesma música! O que chamamos de Urban? Aquelas músicas que estão no meio do caminho entre o pop e o R&B. Aquelas que cheiram como R&B, tem algum elemento do R&B, mas também contém uma tonelada de elementos do pop e da música eletrônica. Esse termo Urban foi inicialmente criado por DJ's norte americanos para denominar artistas de 'cross over' (misturas). Os latinos que faziam sons parecidos com R&B, negros que faziam um som mais semelhante ao Hip Hop (outro capítulo de nossa saga)... Urban, ou urbano, é o som das cidades grandes. Por que no interior não era comum achar pessoas ouvindo esse tipo de som, mais moderninho. No interior até a black music tinha que se disfarçar de country. Um exemplo de Urban??? A música 'Thong Song', do Sisqo. 

No Brasil? R&B virou sinônimo de 'Charme'. Por que, aparentemente, para a maior parte de nossa população, é difícil pronunciar R&B (ar-en-bi). A música ficou conhecida como charme, por ser cadenciada e romântica. Era a música escolhida pelos canalhinhas nas baladas para fazer um charme e pegar as gatinhas... E eu não estou brincando!

E, é isso. Se você ouviu um som, e sentiu vontade de chorar junto com o interprete, isto é R&B. Se quis dançar por que seu coração estava acompanhando a batida, isto é R&B. Se quis gritar junto, e brincou de modular a voz e fazer falsete, tudo na mesma estrofe, isto é R&B. O resto é Urban... E se depois desse texto eu ouvir algum inculto chamar Rihanna de R&B de novo ou, pior, dizer que All-4-One parece Backstreet Boys - já ouvi esta heresia algumas vezes - vou começar a assassinar pessoas!!!







JulyN.
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PQP!!! Dentro da fábula chamada Brasil a floresta encantada deve ser São Paulo!!!

São duas e meia da madrugada e eu estava dormindo pesado, até ser acordada por uns barulhos altos, que me assustaram. Parecia que uma janela aqui do prédio em que moro estava caindo. As janelas aqui são de alumínio, e o barulho que eu ouvia continuamente se assemelhava a algo batendo no metal. Fiquei preocupada, por que estou com visita em um dos quartos, e achei que algo pudesse estar acontecendo. Levantei para conferir. Mais acordada, percebi que o barulho vinha da rua. Eu moro no quinto andar de um prédio mais ou menos antigo, e qualquer barulho na rua vazia ecoa e é ouvido aqui como se tivesse sido produzido dentro do apartamento. Mas, enfim, quem é o ser sem noção fazendo barulho na rua às 2 da matina? 

O caso é que aqui temos sobrelojas. E uma delas esta alugada para uma distribuidora de água. E estamos em São Paulo. E aqui é uma área de exclusão máxima de circulação de caminhões... Vamos explicar tudo isso direitinho...

Era uma vez uma floresta encantada chamada São Paulo. Esta floresta tinha um governante geral, chamado Gilberto Kassab. E um dia ele achou que fosse uma grande ideia impedir a livre circulação de caminhões nesta floresta, achando que isso ia resolver o problema eterno do trânsito do local. E falando assim parece mesmo uma boa ideia... Mas esta floresta em particular é conhecida por uma vida comercial agitada. Produtos têm que entrar e sair daqui em grande escala. A tal restrição de circulação funcionaria assim: durante o horário comercial e de grande circulação de carros na área central, os caminhões seriam proibidos. Ou seja, o dia todo. Em outros locais, a proibição se restringiria aos horários de maior circulação de carros, apenas. Na prática, os caminhões, então, ficaram proibidos de circular pela cidade das cinco da manhã às nove da noite. E eis o primeiro ingrediente do MEU PROBLEMA.

Os moradores desta fábula - oops, país - também não colaboram... Pra que, né? Pra que tentar pensar nos outros, né? Isso dá muito trabalho. Então, a restrição de circulação dos caminhões acontece até às nove da noite... Barulho de carga e descarga de galões de água na minha porta seria até aceitável às dez da noite, ou onze... Às duas da manhã já me deixa bastante irritada. Aí, os meninos fazendo o serviço 'brincam' de jogar os galões vazios na caçamba de metal do caminhão, e enquanto isso vão falando alto uns com os outros... Por que dane-se quem está dormindo, não é? Eles estão bem acordados às duas da manhã!

Este era o barulho de matal batendo que eu estava ouvindo, e quando me dei conta disso, brasileira anômala que sou, imaginei logo que se eu, do quinto andar, tinha acordado com essa perturbação, o que estaria sendo do senhor de uns 80 anos que mora no primeiro andar??? Agasalhei-me para esconder o pijama, e desci para pedir silêncio. Fui educada, pedi aos meninos que diminuíssem o barulho, tomando mais cuidado no manuseio dos galões. 'Eu moro no quinto andar, e o barulho de vocês está ecoando. Isto é um prédio residencial!' A resposta que eu ouvi foi de um verdadeiro brasileiro, normal, com todas as faculdades mentais preservadas (não um anômalo, como eu): 'eu sei, senhora, mas eu estou trabalhando, e não tem jeito!' Ao que eu, ainda achando estar conversando com um anormal feito eu, respondi: 'eu sei, mas vocês podem trabalhar tomando mais cuidado. Não arremessem os galões pra dentro da caçamba, evitem que eles se batam um com o outro. Eu acordei com o barulho dos arremessos...' Ele pediu desculpas, e o barulho diminuiu. Ele fez um esforço... Mas o estrago estava feito. Irritada e acordada, resolvi escrever este texto. 

Quando meu sono é perturbado desta forma, para quem eu reclamo??? Quem defende meu direito de dormir??? Estou pedindo demais desta fábula??? Fico indignada com a falta de semancol dos habitantes desta floresta, irrito-me, quero que melhore. Mas é possível???

O MEU PROBLEMA é o SEU PROBLEMA??? Opine, deixe sua história nos comentários. Eu vou estudar para tentar encontrar a resposta para meus questionamentos, e quem sabe isso não vai te ajudar também?!?









JulyN.
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13 de dez. de 2013

Nesta fábula chamada Brasil... O triste espetáculo do nosso Futebol!

Cedido por OGLOBO.
Eu passei um pouco mais de um mês trabalhando muito, sem ter tempo de ficar acompanhando as notícias do país e do mundo. Na minha semaninha de folga forçada, vi de um tudo, e só não me surpreendi com as notícias por que já sabia que vivia no país da inversão, pra dizer o mínimo. Meus comentários não estão em ordem de acontecimento. Estão mais para a ordem do que me chamou a atenção. Acompanhem comigo...

Não é todo o dia que vemos um bando de sei lá o que - por que me recuso a chamá-los de seres humanos - se pegando e se batendo sem um motivo válido e inteligente numa arquibancada de estádio. Ok, eu poderia estar falando de qualquer jogo Corinthians versus 'A Puta Que O Pariu',- e eu sou corinthiana - mas, incrivelmente não é isso!!! Estou falando daquelas cenas mais que absurdas no jogo do Atlético Paranaense contra o Vasco da Gama. Enfim... O que dizer sobre retardados mentais... Ah, não, estou ofendendo a garotadinha que tem problemas cognitivos, mas que não é selvagem feito esses seres anormais que estavam neste jogo... Enfim, nem tem como ofender essas coisas sem acabar ofendendo qualquer classe que pertença ao xingamento usado. Minha pergunta é simples: qual o motivo da briga? Se alguém conseguir me responder isso, e com essa resposta me convencer de que havia uma razão inteligente e legítima para dar chutes e pauladas na cabeça de quem quer que fosse, bem, eu retiro esta parte da postagem...



Este vídeo foi gentilmente postado pela TV Revolta, no Youtube. Continuando, por que desgraça pouca é Europa. E nós estamos falando de Brasil... Como se não bastasse esse show de horrores ocorrido em campo, a subsequente discussão sobre responsabilidades e punições foi mais lamentável ainda, por que feriu não só quem estava lá, mas também toda uma nação. Foi um triste bate-boca sobre quem era o responsável por controlar o bando de animais - de novo, acabo ofendendo os animais -, quem deveria chamar a polícia, quem deveria impedir a entrada de gente que já tinha ficha na polícia por esse tipo de episódio... Enfim... Meus cabelinhos se ouriçaram com essa constatação de que havia no bando gente fichada por outros espetáculos lamentáveis como este. Quer dizer que o cidadão vai preso por ser um boçal, é liberado, compra ingresso pra outro jogo, não se exige nenhuma documentação dele, e ele entra num estádio de futebol de um país que sediará a copa, e em nenhum desses momentos ninguém o barra por conta da ficha nada limpa dele??? CARALHO!!! 

Aí, depois do jogo da batata quente, veio a mentira das punições... Multinha pros clubes, perda de mando de jogos... Cadeia pra alguém??? NÃO!!! Pra que, né? O cara chuta e dá paulada e não vai pra cadeia por tentativa de homicídio... Claro... Por que o estádio de futebol é uma bolha onde a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA não tem validade. Só pode ser isso!!! Pra mim, já tinha que começar prendendo os presidentes das torcidas organizadas. Por que quem se intitula presidente de alguma coisa, está ocupando um cargo de RESPONSABILIDADE... Eu estou errada? Na lei do consumidor, o fabricante não é responsabilizado pelos atos de seus prepostos? (Assistindo muito ao Celso Russomano)  Pois é, neste caso o preposto boçal do presidente da torcida organizada - lê-se desculpa esfarrapada para um bando de coisas mal acabadas se unirem e fazerem idiotices - fez toda essa baderna no estádio. O presidente da torcida, que o levou em carreata até lá deveria ser criminalmente responsabilizado pelos atos do idiota, e civilmente também, arcando com as custas - os estragos no estádio. Acho que assim a violência nos estádios seria menor... Mas é o que fazemos??? Não... Pra que? É claro que 12 jogos fora de seu estádio vai revolver tudo. Resolve só pra quem paga a conta dos estragos neste estádio, por que a torcida vai quebrar os estádios dos outros por 12 jogos. Palhaçada!!!









JulyN.
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